Esta é a parte conclusiva do projeto educativo intersetorial desenvolvido pelos profissionais da educação da E.E.: Acadêmico Lauro Augusto de Barros" focado no controle do caramujo africano na área urbana de Santo Afonso/MT. Em primeiro plano segue os gráficos com seus respectivos indicadores e em seguida o projeto.
1- TÍTULO: Controle do Caramujo Africano
2- INTRODUÇÃO
O projeto “Controle do Caramujo Africano” desenvolvido pelos
profissionais da Educação Básica (Apoio Adm. Educacional – AAE - e Técnico Adm.
Educacional – TAE ) do Estado de Mato Grosso da E.E.: “Acadêmico Lauro augusto
de Barros”, Santo Afonso/MT em parceria
com a Saúde Municipal, alunos e professores da E.E.: “Acadêmico Lauro Augusto
de Barros” em conformidade com a proposta do P.P.P (Projeto Político
Pedagógico) vem intervir positivamente na realidade social e integrar escola e
comunidade numa proposta de natureza educativa e de orientação preventiva à proliferação e possível transmissão de
doenças pelo molusco Achatina fulica
popularmente conhecido como caramujo africano, na área urbana de Santo
Afonso/MT.
A população de Santo
Afonso/MT é constituída predominantemente por funcionários públicos e
sitiantes. A economia baseada no extrativismo mineral, segundo estimativas,
predominou do inicio da década de 60 até a o início da década de 90 com a
extração do diamante. O fim desta atividade econômica coincidiu com a
emancipação da cidade que proporcionou o crescimento do serviço público com a
implementação de novos postos de serviços. A cidade experimentou um intenso
êxodo populacional em razão do esgotamento do diamante. Desta forma o
contingente populacional caiu drasticamente e consequentemente a renda por falta
de opções de emprego e renda. Graças aos programas do Governo Federal de
inclusão social e distribuição de renda, o município conseguiu conter a evasão
de pessoas e da renda. Atualmente, além do setor público, a renda do município
tem sido alargada pelo serviço da construção civil, a instalação de primeira
indústria na cidade no setor do agronegócio, a cultura da cana-de-açúcar e soja,
novos postos de serviço público, programa de geração de renda prestado pela
Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) que compra a produção dos
produtores rurais, que fazem parte do cadastro do programa da agricultura
familiar e repassa para instituições públicas, e do recrutamento de pessoal
para atender a demanda de mão-de-obra para o frigorífico de abate de aves em
município vizinho. Hoje o município apresenta um quadro econômico estável com
perspectivas atrativas de investimentos e populacional.
Antes do fracasso do garimpo do diamante, não havia
interesse da população pela busca de formação. O padrão socioeconômico e
cultural eram as duas maiores razões por esta conformidade. A produção
extrativista atendia as necessidades e interesses da região, portanto não havia
motivação para a formação escolar. Além disto, somente no início da década de
90 iniciou oferta de Ensino Médio na E.E.: “Acadêmico Lauro Augusto de Barros”,
antes desta data, quem tinha condições, mudava-se para cidades vizinhas a fim
de concluir a educação básica. As primeiras pessoas a cursarem o ensino
superior, fizeram em cursos semipresenciais no estado de São Paulo. O segundo
grupo a cursarem a universidade já não precisava ir tão longe. A oitenta
quilômetros, em Tangará da Serra/MT, já havia uma faculdade particular de
Licenciatura em Pedagogia, e em torno de dois anos, surgiram outras
oportunidades com a Universidade Pública do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)
nessa cidade e a Educação á Distância da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT) com núcleo em Diamantino/MT, além de duas outras universidades privadas,
também nesta.
No momento, Santo Afonso/MT conta com uma unidade escolar
estadual com Ensino Médio e uma unidade municipal com o Ensino Fundamental na
área urbana. As perspectivas do mercado de trabalho e programas sociais do
Governo Federal, aos poucos, tem mudado a visão e motivado a comunidade ao
ingresso nas escolas e faculdades em busca de formação. Santo Afonso conta,
relativamente, com nível considerável de pessoas com nível superior. Embora
conte com esta condição relativamente favorável, ainda apresenta carência de
formação cidadã e politizadora. As motivações que levam à participação política
são inócuas, individuais, paternalistas. Estamos em construção de uma formação
política que busca o bem comum, da sociedade.
Este projeto propõe-se a ser desenvolvido com a integração
dos profissionais administrativos, todos os estudantes, docentes desta escola e
o setor da saúde pública municipal de forma ativa no que diz respeito á
situação de saúde pública no contexto da sustentabilidade e espécies exóticas
com a apresentação de palestras, desenvolvimento temático em sala de aula,
entrega à domicílio de folhetos contendo orientações básicas quanto ao controle
e prevenção ao caramujo africano.
3 - OBJETIVO GERAL
Unir a prática e
teoria da “sala do educador” dos
profissionais da área administrativa, integrando escola e comunidade com uma
prática educativa significativa no contexto da sustentabilidade e diversidade
ambiental.
4- OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Integrar escola
e comunidade através da temática da diversidade e sustentabilidade ambiental;
-
Controlar a proliferação do caramujo africano na
área urbana a fim de evitar a transmissão de doenças;
-
Sensibilizar e conscientizar a comunidade quanto
aos possíveis riscos de doenças transmitidas pelo caramujo africano.
5- JUSTIFICATIVA
- PROBLEMÁTICA
Na educação democrática, além da abertura para a comunidade escolar
participar do gerenciamento dos recursos financeiros e da gestão do
conhecimento, é de suma importância destacar o papel da área administrativa
escolar como profissionais da educação participantes no ato de educar. Neste
contexto de gestão democrática, considerando a educação significativa, no
projeto “sala do educador” com a temática sustentabilidade ambiental, é que os
profissionais da educação Técnicos Administrativos (TAE) e Apoio Administrativo
(AAE) vêm trabalhar uma problemática que se tornou um desafio para a escola e
comunidade. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN),
as espécies exóticas ou invasoras representam a segunda maior ameaça para o
equilíbrio e sustentabilidade das espécies, que levando em consideração a
realidade local, o caramujo africano – Achatina
fulica, nativo da África, têm-se proliferado rapidamente na área urbana de
Santo Afonso/MT. Assim, buscou-se na “sala
do educador” tornar nossa prática significativa ao se trabalhar o nosso
ofício com a realidade da comunidade.
6 - EIXO TEÓRICO
No contexto da autonomia do conhecimento da escola democrática que reconhece
os segmentos da escola (comunidade escolar) como unidade corresponsável
produtora de conhecimento e conforme a proposta do Projeto Político Pedagógico
que incentiva a participação da instituição escolar na tomada de decisões e na
integração escola e sociedade, o projeto “sala
do educador” por meio dos profissionais da educação – administrativos –
propõe a execução do projeto escolar “Controle do Caramujo Africano”.
Vale ressaltar que a Achatina fulica ou caramujo africano no
Brasil faz parte das espécies invasoras ou exóticas que, segundo a União Internacional
para a Conservação da Natureza (IUCN) representa a segunda maior ameaça à
biodiversidade em todo planeta, perdendo somente para o desmatamento.
Conforme a pesquisadora da Fiocruz Silvana Thiengo, o caramujo africano
chegou ao Brasil numa feira agropecuária na década de 80 no Paraná/PR, sem registro
de autorização de importação no Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) ou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA), como opção comercial em substituição ao escargot, espécie de caramujo francês,
mas como esta iguaria não faz parte do hábito alimentar brasileiro, não atingiu
o fim planejado. Em razão da falta de demanda os criadores soltaram o molusco
no meio ambiente o que ocasionou a grande proliferação e possível desiquilíbrio
ambiental, além do risco de transmissão de doenças.
Atualmente o caramujo africano está presente em cerca de 8% dos 5561
município brasileiros, em 23 dos 26 estados brasileiros, além do DF. O sudeste
e o Centro-Oeste concentra o maior número de municípios.
Quanto à possibilidade de transmissão de doenças, há registros em ilhas
do Pacífico, na Austrália e nos Estados Unidos. No Brasil não há registros
segundo Thiengo. Há duas zoonoses que podem ser transmitidas por este molusco.
A primeira é a meningite eosinofílica, causada por um verme, Angiostrongylus cantonensis, que passa
pelo sistema nervoso central e se instala nos pulmões, inclusive pode
acidentalmente envolver o homem. A segunda é a angiostrongilíase abdominal, provocada
pelo parasita Angiostrongylus
costaricensis, que em muitos casos são assintomáticas, mas que podem levar
à morte, por perfuração intestinal e peritonite. A fim de evitar a
contaminação, Silvana orienta que não se deve ingerir este molusco em hipótese
alguma, deve-se lavar bem as hortaliças e deixa-las em molho em uma solução de
hipoclorito de sódio 1,5% (uma colher de sopa de água sanitária diluída em 1
litro de água filtrada, por aproximadamente 15 a 30 minutos e enxaguar bem
antes de consumir.
A rápida proliferação do A. fulica no
Brasil ocorre em razão dele possuir um grande potencial biótico e à ausência de
patógenos específicos. São herbívoros, mas muito vorazes, se alimentam de quase
tudo. Um indivíduo pode colocar em média 200 ovos por postura e se reproduzir
mais e uma vez por ano.
Orientações Que A
População Deve Tomar Durante a Catação e Eliminação dos Caramujos Após a
Catação
Não se deve usar pesticida em razão da alta toxidade, por isso,
recomenda-se a catação manual com as mãos revestidas com luvas ou plásticos de
preferência nas primeiras horas da manhã ou nas primeiras horas da noite.
Durante o dia, eles se escondem para se proteger do sol.
O uso do sal não é recomendado, pois o uso em excesso pode prejudicar o
solo e o plantio. O IBAMA recomenda esmagar os moluscos, após a catação,
cobertos com cal virgem e enterrados. Além disto, pode jogar os caramujos
coletados em um recipiente com água fervente. As carapaças dever ser quebradas,
a fim de não acumular água a fim de evitar focos do mosquito da dengue, e
descartados em lixo comum.
No caso de eliminação do caramujo africano, deve-se tomar cuidado para
não confundir com o espécime brasileiro Megalobulimus
sp e pô-lo em risco, tendo em vista que este põe somente dois ovos a cada
ano. A concha do Achatina fulica
apresenta mais voltas e é mais alongada, enquanto que a concha do Megalobulimus sp é mais bojuda, menos voltas e abertura é espessa, não cortante.
Na África, ambiente de origem do caramujo africano, “existem patógenos,
como por exemplo, bactérias, fungos e parasitas, fazem o controle natural dessa
população”. No Brasil o caramujo africano é um invasor, as pesquisas ainda são
incipientes. As informações que se tem são baseadas em experiências de outros
países como Estados Unidos e Índia. Nesta, onde já faz mais de cem anos que se
foi introduzido, ainda não apresenta registro de declínio.
Apesar dos iniciantes de estudo do caramujo africano, é importante que a
população faça o controle através da catação e eliminação conforme as
recomendações já mencionadas.
7- AÇÕES
- Realizar
pesquisas em material impresso e virtual a fim de definir uma base teórica que
nos oriente na construção do projeto de forma integrada, envolvendo os
profissionais da educação, professores da área de ciências, estudantes e
comunidade em geral juntamente com a área de saúde municipal;
- Realizar
palestras com a comunidade escolar na escola no sentido de sensibilizar a
população quanto aos riscos da proliferação do caramujo africano;
- Distribuir
panfletos a comunidade contendo orientações de controle de proliferação do
molusco, a baixo custo para a população, bem como os seus riscos à saúde
pública;
8- CRONOGRAMA
DATA
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ATIVIDADE
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25, 26,
27/04/2012 e 2, 3/05/2012
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Elaboração do
projeto
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4,7-11/05/2012
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Criação de
panfletos, faixas, cartazes.
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13/05/2012
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Caminhada na
cidade para a entrega de panfletos
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16 e 18/05/2012
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Apresentação
da palestra, teatro e entrega de panfletos.
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26/04 a
15/05/2012.
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Trabalho em
sala de aula com os alunos
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9- PLANO DE
APLICAÇÃO
A presente proposta será dirigida pelos profissionais da educação básica
do Estado de Mato Grosso (Apoio Adm. Educacional – AAE – Técnico Administrativo
Educacional – TAE) sob a orientação da Coordenação Pedagógica da escola. Haverá
o envolvimento de toda escola, comunidade e Secretaria Municipal de Saúde.
Com os profissionais do AAE e TAE o tema será trabalhado na formação
continuada da escola “Sala do Educador”.
Os professores da área de ciências da natureza desenvolverão o tema em sala de
aula com os estudantes e os demais docentes participarão da entrega de
panfletos a companhia dos estudantes. A Secretaria Municipal de Saúde estará
acompanhando na formação continuada e ficará responsável pela palestra. Às
vésperas da palestra, toda escola e a vigilância sanitária do município fará
uma caminhada com faixas e cartazes pelas ruas da área urbana da cidade para
distribuir panfletos informativos sobre o controle e risco de epidemia, que
podem ser provocados pelo Achatina fulica.
Além disto, cartazes contendo informações do local e datas das palestras serão
afixadas em pontos estratégicos da cidade. Na escola e na comunidade será feito
um levantamento sobre o conhecimento destes a respeito da temática com
apresentação de gráficos e tabelas. A palestra será ministrada pela vigilância
sanitária do município com o auxílio de Datashow, caixa de som com tempo para
questionamentos para os participantes. Os professores da área de linguagem,
após a palestra exigirão uma produção de textos sobre o tema desenvolvido. Toda
coordenação do projeto ficará sob a responsabilidade dos profissionais administrativos
(AAE e TAE).
10- MATERIAIS
NECESSÁRIOS
- 500
folhas de Papel A4 reciclado, 10 cartolina, 05 pincel atômico, 5 lápis, 5
borracha, 2 réguas, 20 metros
faixas (sacaria), máquina fotográfica, 1 filmadora, 10 mini DVD’s, 2
cartuchos de tinta pretos, 10 potinhos de tinta para tecido, 22 metros de corda, 2 pincéis, veneno
para o caramujo africano.
11- ORÇAMENTO
Aproximadamente R$
200,00 (duzentos reais)
12- PARCEIROS
- Prefeitura
municipal, Secretaria Municipal de Saúde;
13- BIBLIOGRAFIA
6 - REFERÊNCIA
MARTA, Luciane Fischer, e tal. O Caramujo Gigante Africano Achatina
fulica no Brasil. Curitiba. Champagnata, 2010.
RINALDI, Carlos; MARIA, Lydia Parente Lemos dos Santos. Teoria da Aprendizagem e Educação Ética, UAB/UFMT, Cuiabá/MT, 2011.
RODRIGUES, Viviane. Normas ABNT no Word. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/89373398/Normas-ABNT-No-Word. Acesso em: 17.10.2012
FIOCRUZ. Especialista comenta os riscos que os caramujos africanos podem
representar para a população. Disponível em: http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=211&infoid=770&sid=3. Acesso: em
20.04.2012.
INFOESCOLA. Hipoclorito de Sódio. Disponível em: http://www.infoescola.com/quimica/hipoclorito-de-sodio/. Acesso
em: 11.10.2012.
UFMT/UAB.
Elaboração de Relatórios Científicos:
informações básicas para jovens investigadores dos ensinos fundamental e médio.
Disponível em: http://200.129.246.12/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=12794.
Acesso em: 13.09.2012.
PEDAGOGIA EM FOCO. Metodologia Científica. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met01.htm . Acesso em 17.09.2012

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