terça-feira, 12 de março de 2013

Projeto de Controle do Caramujo Africano II

Esta é a parte conclusiva do projeto educativo intersetorial desenvolvido pelos profissionais da educação da E.E.: Acadêmico Lauro Augusto de Barros" focado no controle do caramujo africano na área urbana de Santo Afonso/MT. Em primeiro plano segue os gráficos com seus respectivos indicadores e em seguida o projeto. 



1- TÍTULO: Controle do Caramujo Africano

2- INTRODUÇÃO
O projeto “Controle do Caramujo Africano” desenvolvido pelos profissionais da Educação Básica (Apoio Adm. Educacional – AAE - e Técnico Adm. Educacional – TAE ) do Estado de Mato Grosso da E.E.: “Acadêmico Lauro augusto de Barros”, Santo Afonso/MT  em parceria com a Saúde Municipal, alunos e professores da E.E.: “Acadêmico Lauro Augusto de Barros” em conformidade com a proposta do P.P.P (Projeto Político Pedagógico) vem intervir positivamente na realidade social e integrar escola e comunidade numa proposta de natureza educativa e de orientação preventiva  à proliferação e possível transmissão de doenças pelo molusco Achatina fulica popularmente conhecido como caramujo africano, na área urbana de Santo Afonso/MT.


 A população de Santo Afonso/MT é constituída predominantemente por funcionários públicos e sitiantes. A economia baseada no extrativismo mineral, segundo estimativas, predominou do inicio da década de 60 até a o início da década de 90 com a extração do diamante. O fim desta atividade econômica coincidiu com a emancipação da cidade que proporcionou o crescimento do serviço público com a implementação de novos postos de serviços. A cidade experimentou um intenso êxodo populacional em razão do esgotamento do diamante. Desta forma o contingente populacional caiu drasticamente e consequentemente a renda por falta de opções de emprego e renda. Graças aos programas do Governo Federal de inclusão social e distribuição de renda, o município conseguiu conter a evasão de pessoas e da renda. Atualmente, além do setor público, a renda do município tem sido alargada pelo serviço da construção civil, a instalação de primeira indústria na cidade no setor do agronegócio, a cultura da cana-de-açúcar e soja, novos postos de serviço público, programa de geração de renda prestado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) que compra a produção dos produtores rurais, que fazem parte do cadastro do programa da agricultura familiar e repassa para instituições públicas, e do recrutamento de pessoal para atender a demanda de mão-de-obra para o frigorífico de abate de aves em município vizinho. Hoje o município apresenta um quadro econômico estável com perspectivas atrativas de investimentos e populacional.
Antes do fracasso do garimpo do diamante, não havia interesse da população pela busca de formação. O padrão socioeconômico e cultural eram as duas maiores razões por esta conformidade. A produção extrativista atendia as necessidades e interesses da região, portanto não havia motivação para a formação escolar. Além disto, somente no início da década de 90 iniciou oferta de Ensino Médio na E.E.: “Acadêmico Lauro Augusto de Barros”, antes desta data, quem tinha condições, mudava-se para cidades vizinhas a fim de concluir a educação básica. As primeiras pessoas a cursarem o ensino superior, fizeram em cursos semipresenciais no estado de São Paulo. O segundo grupo a cursarem a universidade já não precisava ir tão longe. A oitenta quilômetros, em Tangará da Serra/MT, já havia uma faculdade particular de Licenciatura em Pedagogia, e em torno de dois anos, surgiram outras oportunidades com a Universidade Pública do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) nessa cidade e a Educação á Distância da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com núcleo em Diamantino/MT, além de duas outras universidades privadas, também nesta.
No momento, Santo Afonso/MT conta com uma unidade escolar estadual com Ensino Médio e uma unidade municipal com o Ensino Fundamental na área urbana. As perspectivas do mercado de trabalho e programas sociais do Governo Federal, aos poucos, tem mudado a visão e motivado a comunidade ao ingresso nas escolas e faculdades em busca de formação. Santo Afonso conta, relativamente, com nível considerável de pessoas com nível superior. Embora conte com esta condição relativamente favorável, ainda apresenta carência de formação cidadã e politizadora. As motivações que levam à participação política são inócuas, individuais, paternalistas. Estamos em construção de uma formação política que busca o bem comum, da sociedade.
Este projeto propõe-se a ser desenvolvido com a integração dos profissionais administrativos, todos os estudantes, docentes desta escola e o setor da saúde pública municipal de forma ativa no que diz respeito á situação de saúde pública no contexto da sustentabilidade e espécies exóticas com a apresentação de palestras, desenvolvimento temático em sala de aula, entrega à domicílio de folhetos contendo orientações básicas quanto ao controle e prevenção ao caramujo africano.

3 - OBJETIVO GERAL
 Unir a prática e teoria da “sala do educador” dos profissionais da área administrativa, integrando escola e comunidade com uma prática educativa significativa no contexto da sustentabilidade e diversidade ambiental.


4- OBJETIVOS ESPECÍFICOS
-     Integrar escola e comunidade através da temática da diversidade e sustentabilidade ambiental;
-         Controlar a proliferação do caramujo africano na área urbana a fim de evitar a transmissão de doenças;
-         Sensibilizar e conscientizar a comunidade quanto aos possíveis riscos de doenças transmitidas pelo caramujo africano.


5- JUSTIFICATIVA - PROBLEMÁTICA
Na educação democrática, além da abertura para a comunidade escolar participar do gerenciamento dos recursos financeiros e da gestão do conhecimento, é de suma importância destacar o papel da área administrativa escolar como profissionais da educação participantes no ato de educar. Neste contexto de gestão democrática, considerando a educação significativa, no projeto “sala do educador” com a temática sustentabilidade ambiental, é que os profissionais da educação Técnicos Administrativos (TAE) e Apoio Administrativo (AAE) vêm trabalhar uma problemática que se tornou um desafio para a escola e comunidade. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), as espécies exóticas ou invasoras representam a segunda maior ameaça para o equilíbrio e sustentabilidade das espécies, que levando em consideração a realidade local, o caramujo africano – Achatina fulica, nativo da África, têm-se proliferado rapidamente na área urbana de Santo Afonso/MT. Assim, buscou-se na “sala do educador” tornar nossa prática significativa ao se trabalhar o nosso ofício com a realidade da comunidade.
6 - EIXO TEÓRICO
No contexto da autonomia do conhecimento da escola democrática que reconhece os segmentos da escola (comunidade escolar) como unidade corresponsável produtora de conhecimento e conforme a proposta do Projeto Político Pedagógico que incentiva a participação da instituição escolar na tomada de decisões e na integração escola e sociedade, o projeto “sala do educador” por meio dos profissionais da educação – administrativos – propõe a execução do projeto escolar “Controle do Caramujo Africano”.
 Vale ressaltar que a Achatina fulica ou caramujo africano no Brasil faz parte das espécies invasoras ou exóticas que, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) representa a segunda maior ameaça à biodiversidade em todo planeta, perdendo somente para o desmatamento.
Conforme a pesquisadora da Fiocruz Silvana Thiengo, o caramujo africano chegou ao Brasil numa feira agropecuária na década de 80 no Paraná/PR, sem registro de autorização de importação no Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) ou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), como opção comercial em substituição ao escargot, espécie de caramujo francês, mas como esta iguaria não faz parte do hábito alimentar brasileiro, não atingiu o fim planejado. Em razão da falta de demanda os criadores soltaram o molusco no meio ambiente o que ocasionou a grande proliferação e possível desiquilíbrio ambiental, além do risco de transmissão de doenças.
Atualmente o caramujo africano está presente em cerca de 8% dos 5561 município brasileiros, em 23 dos 26 estados brasileiros, além do DF. O sudeste e o Centro-Oeste concentra o maior número de municípios.
Quanto à possibilidade de transmissão de doenças, há registros em ilhas do Pacífico, na Austrália e nos Estados Unidos. No Brasil não há registros segundo Thiengo. Há duas zoonoses que podem ser transmitidas por este molusco. A primeira é a meningite eosinofílica, causada por um verme, Angiostrongylus cantonensis, que passa pelo sistema nervoso central e se instala nos pulmões, inclusive pode acidentalmente envolver o homem. A segunda é a angiostrongilíase abdominal, provocada pelo parasita Angiostrongylus costaricensis, que em muitos casos são assintomáticas, mas que podem levar à morte, por perfuração intestinal e peritonite. A fim de evitar a contaminação, Silvana orienta que não se deve ingerir este molusco em hipótese alguma, deve-se lavar bem as hortaliças e deixa-las em molho em uma solução de hipoclorito de sódio 1,5% (uma colher de sopa de água sanitária diluída em 1 litro de água filtrada, por aproximadamente 15 a 30 minutos e enxaguar bem antes de consumir.
A rápida proliferação do A. fulica no Brasil ocorre em razão dele possuir um grande potencial biótico e à ausência de patógenos específicos. São herbívoros, mas muito vorazes, se alimentam de quase tudo. Um indivíduo pode colocar em média 200 ovos por postura e se reproduzir mais e uma vez por ano.

Orientações Que A População Deve Tomar Durante a Catação e Eliminação dos Caramujos Após a Catação
Não se deve usar pesticida em razão da alta toxidade, por isso, recomenda-se a catação manual com as mãos revestidas com luvas ou plásticos de preferência nas primeiras horas da manhã ou nas primeiras horas da noite. Durante o dia, eles se escondem para se proteger do sol.
O uso do sal não é recomendado, pois o uso em excesso pode prejudicar o solo e o plantio. O IBAMA recomenda esmagar os moluscos, após a catação, cobertos com cal virgem e enterrados. Além disto, pode jogar os caramujos coletados em um recipiente com água fervente. As carapaças dever ser quebradas, a fim de não acumular água a fim de evitar focos do mosquito da dengue, e descartados em lixo comum.
No caso de eliminação do caramujo africano, deve-se tomar cuidado para não confundir com o espécime brasileiro Megalobulimus sp e pô-lo em risco, tendo em vista que este põe somente dois ovos a cada ano. A concha do Achatina fulica apresenta mais voltas e é mais alongada, enquanto que a concha do Megalobulimus sp é mais bojuda, menos voltas e abertura é espessa, não cortante.
Na África, ambiente de origem do caramujo africano, “existem patógenos, como por exemplo, bactérias, fungos e parasitas, fazem o controle natural dessa população”. No Brasil o caramujo africano é um invasor, as pesquisas ainda são incipientes. As informações que se tem são baseadas em experiências de outros países como Estados Unidos e Índia. Nesta, onde já faz mais de cem anos que se foi introduzido, ainda não apresenta registro de declínio.
Apesar dos iniciantes de estudo do caramujo africano, é importante que a população faça o controle através da catação e eliminação conforme as recomendações já mencionadas.



7- AÇÕES
- Realizar pesquisas em material impresso e virtual a fim de definir uma base teórica que nos oriente na construção do projeto de forma integrada, envolvendo os profissionais da educação, professores da área de ciências, estudantes e comunidade em geral juntamente com a área de saúde municipal;
- Realizar palestras com a comunidade escolar na escola no sentido de sensibilizar a população quanto aos riscos da proliferação do caramujo africano;
- Distribuir panfletos a comunidade contendo orientações de controle de proliferação do molusco, a baixo custo para a população, bem como os seus riscos à saúde pública;

8- CRONOGRAMA
DATA
ATIVIDADE
25, 26, 27/04/2012 e 2, 3/05/2012
Elaboração do projeto
4,7-11/05/2012
Criação de panfletos, faixas, cartazes.


13/05/2012
Caminhada na cidade para a entrega de panfletos
16 e 18/05/2012
Apresentação da palestra, teatro e entrega de panfletos.


26/04 a 15/05/2012.
Trabalho em sala de aula com os alunos


9- PLANO DE APLICAÇÃO
A presente proposta será dirigida pelos profissionais da educação básica do Estado de Mato Grosso (Apoio Adm. Educacional – AAE – Técnico Administrativo Educacional – TAE) sob a orientação da Coordenação Pedagógica da escola. Haverá o envolvimento de toda escola, comunidade e Secretaria Municipal de Saúde.
Com os profissionais do AAE e TAE o tema será trabalhado na formação continuada da escola “Sala do Educador”. Os professores da área de ciências da natureza desenvolverão o tema em sala de aula com os estudantes e os demais docentes participarão da entrega de panfletos a companhia dos estudantes. A Secretaria Municipal de Saúde estará acompanhando na formação continuada e ficará responsável pela palestra. Às vésperas da palestra, toda escola e a vigilância sanitária do município fará uma caminhada com faixas e cartazes pelas ruas da área urbana da cidade para distribuir panfletos informativos sobre o controle e risco de epidemia, que podem ser provocados pelo Achatina fulica. Além disto, cartazes contendo informações do local e datas das palestras serão afixadas em pontos estratégicos da cidade. Na escola e na comunidade será feito um levantamento sobre o conhecimento destes a respeito da temática com apresentação de gráficos e tabelas. A palestra será ministrada pela vigilância sanitária do município com o auxílio de Datashow, caixa de som com tempo para questionamentos para os participantes. Os professores da área de linguagem, após a palestra exigirão uma produção de textos sobre o tema desenvolvido. Toda coordenação do projeto ficará sob a responsabilidade dos profissionais administrativos (AAE e TAE).


10- MATERIAIS NECESSÁRIOS
  • 500 folhas de Papel A4 reciclado, 10 cartolina, 05 pincel atômico, 5 lápis, 5 borracha, 2  réguas, 20 metros faixas (sacaria), máquina fotográfica, 1 filmadora, 10 mini DVD’s, 2 cartuchos de tinta pretos, 10 potinhos de tinta para tecido,  22 metros de corda, 2 pincéis, veneno para o caramujo africano.

11- ORÇAMENTO
Aproximadamente R$ 200,00 (duzentos reais)

12- PARCEIROS
- Prefeitura municipal, Secretaria Municipal de Saúde;

13- BIBLIOGRAFIA
6 - REFERÊNCIA
MARTA, Luciane Fischer, e tal. O Caramujo Gigante Africano Achatina fulica no Brasil. Curitiba. Champagnata, 2010.

RINALDI, Carlos; MARIA, Lydia Parente Lemos dos Santos. Teoria da Aprendizagem e Educação Ética, UAB/UFMT, Cuiabá/MT, 2011.

RODRIGUES, Viviane. Normas ABNT no Word. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/89373398/Normas-ABNT-No-Word. Acesso em: 17.10.2012

FIOCRUZ. Especialista comenta os riscos que os caramujos africanos podem representar para a população. Disponível em: http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=211&infoid=770&sid=3. Acesso: em 20.04.2012.

INFOESCOLA. Hipoclorito de Sódio. Disponível em: http://www.infoescola.com/quimica/hipoclorito-de-sodio/Acesso em: 11.10.2012.

UFMT/UAB. Elaboração de Relatórios Científicos: informações básicas para jovens investigadores dos ensinos fundamental e médio. Disponível em: http://200.129.246.12/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=12794. Acesso em: 13.09.2012.

PEDAGOGIA EM FOCO. Metodologia Científica. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met01.htm  . Acesso em 17.09.2012



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